segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Lama


Houve um dia em minha vida que fui pego de surpresa: o sentimento fúnebre. É meio comum nós, seres humanos, irmos ao enterro de algum parente, velório de amigos ou de pessoas que prezamos... Mas não estou aqui para descrever um velório ou um enterro...

Precisamos estar preparados para tudo na vida, tudinho mesmo senão ele nos pega de surpresa e o resultado é triste...

O relógio do meu quarto marcava uma hora da manhã e o do corredor marcava uma hora de 20 minutos, era difícil saber qual estava certo pois não havia ninguém em casa, aliás, havia sim: O Feldspato (meu querido e amigável gato). Mamãe e papai estavam numa reunião importantíssima: um breve anúncio. Eu fiquei esperando eles chegarem no meio do corredor observando os dois horários quando o telefone tocou, era a mamãe. Durante minutos ficamos sem falar nada quando o silêncio foi totalmente sacrificado pela suave e dolorosa voz: ‘‘Lurdinha morreu.’’... Foram as duas palavras que marcaram a minha vida naquele instante e respondi: ‘‘Tudo bem...’’ Mas pude sentir que estas palavras saíram simplesmente da boca para fora, pois dentro de mim não estava nada bem. Deitei no sofá da sala e comecei a ver as estrelas e pensar ‘‘Ah Lurdinha, sofri tanto por você, agora me abandonaste’’...Lurdinha não era uma dessas primas que é tão distante que nem sente a falta, ela era ‘A’ minha prima... Ela servia de inspiração para meus poemas, minhas crônicas e textos... Mas uma vez, tornei-me dependente do meu herói, Victor.

Peguei o telefone e liguei para ele. Ele atendeu e falei: ‘Victor, Lurdinha morreu’ Mas com braveza e coragem ele responde cinco palavras ‘Acho que chegou a hora’. Respondi: ‘ Do que?’ E ele se derramou: ‘De você andar com suas próprias pernas’.

Mais tarde, às 5 horas da manhã, mamãe ligou de novo dizendo que iria me buscar para ir vê-la, mas neguei... Ela aceitou.

Ali no meio da sala joguei-me no chão e pus-me a refletir sobre a morte... Coisa ruim né? Você deve se perguntar ‘Pra que falar da morte se podemos falar da vida?’ e eu te respondo: Porque a verdade é nua e crua.

A morte vem pra nós vermos a realidade: que tudo tem um fim. Lurdinha estava com necrose nos tecidos epiteliais, faleceu nova: 20 anos. Feldspato miou com tristeza ao saber que nunca mais veria sua amiguinha de folga... Para isso criei outra frase: ‘Tudo que volta, vem. Mas nem tudo que vai, volta.’

Triste não? Um comentário ridículo para um blog como este: Distúrbios, Atitudes e Chocolate...

Fique sabendo que isso não faz parte de um distúrbio, nem de uma atitude, MUITO MENOS de chocolate. Acho que não quero refletir sobre isso... Uma palavra para vocês:

Andem com vossos pés pois não há mais ninguém para levá-los na lama...

Só tenho certeza de uma coisa: ‘‘...O caminho mais fácil, nem sempre é melhor que o da dor, dê uma chance pra vida te mostrar um jeito menos doloroso de se despedir, não seja assim tão dura com as palavras...’’

3 comentários:

paulo disse...

Ainda existe uma esperança? Ainda existe o amanhã?
Em memória de uma parte de mim: a realidade, que foi corrompida por partículas de renúncia, expressão, solidão. Escárnios que ferem meu coração.

Anônimo disse...

Mtoo lindo Pauluuh!!
Tee amo 4ever!

Contá semprei cmg 'Teddy'

Anônimo disse...

eu adorei esse texeto!!
eu te consolei muito !!
mas se você tivesse ligado pra mim uma hora dessas eu ia ta dormindo!!








bjuuu