sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Meu Guri


Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando, não sei lhe explicar
Fui assim levando ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aí
Olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega suado e veloz do batente
E traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço
Que haja pescoço pra enfiar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega no morro com o carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar cá no alto
Essa onda de assaltos tá um horror
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo
Acho que tá lindo de papo pro ar
Desde o começo, eu não disse, seu moço
Ele disse que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri


quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Marca Negra

Ali, a marca negra
Feitosa e enganadora
Não apenas um shampoo caído
Mas um forte danificado

A marca negra,
símbolo de dor
de rancor
de falta de amor

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

As Aventuras de Joseph Holl e Melody


Joseph Holl e Melody conversavam, discutiam ou até mesmo tratavam de assuntos em plena cabine telefônica em Londres.
- Mas que diabos de aperto é esse cara Melody!
- Holl, estamos em Londres! Todo aquele gingado de emoção que quase nos leva à Paris! É fantástico!
- Londres pode ser mas essa cabine não é não. Aliás... O que estamos fazendo nessa prisão!?
- Esqueceu-se de que está chovendo Holl? Trate de se acalmar pois senão te deixo lá fora!
- Audácia! Que coleguismo é esse Melody! Meu Deus! Que barulho foi esse?
- Acalme-se Holl, foi o vento que bateu e estremeceu a cabine... Só iss...
Dali a alguns trilésimos de segundo a cabine telefônica é arrancada do chão e começa a dançar com o vento.
- Raios! Já tinha pensado que isso haveria de acontecer! Que diabos o homem constroi uma infra-estrutura de pó aqui! Dá-me santa paciência!
- Cale-se! Estamos aqui por livre e espontânea vontade!
- Cale-se tu, oh Melody! Não vês que estamos encharcados de água?! Que diabos estamos fazendo aqui ainda?!
- Holl! Estamos esperando o nosso ônibus! Precisamos voltar ao hotel!
- Ah! Esse lugar não merece minha vontade! Audácia! Teremos nós de irmos à pé!
- Nem pensar Sr. Joseph! Pagamos para o ônibus e vamos nele!
- A que horas o bendito deveria estar aqui?
- No bilhete diz que ele deveria passar as 20:00.
- Raios e Trovões! São 10 horas da noite!
- Holl ele deve estar para chegar! Aquiete-se! Sem mais um pio!
E lá se passaram mais 20 minutos de puro silêncio.
- Que Diabos aconteceu? Aquele não é nosso ônibus?
E eles avistaram o ônibus a mais ou menos 100 metros deles. A esperança estava
- Acabada! O ônibus entalou lá! Teremos de ir AGORA!
Melody obedeceu aos gritos, e logo após andarem chegaram ao ônibus, entraram e assentaram-se.
- Que Diab...
- Cale-se Holl! Durma até chegarmos lá!
E se passaram 1 hora, o ônibus já estava vazio quando eles acordaram pela voz do motorista.
Eles saíram do ônibus.
- Raios e trovões! Graças ao bom Deus terei paz!
- Acho que não Holl, pegamos o ônibus errado...
- Que Diabos você fez!
(...)

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Contraste


-Ah! Qual é? Poxa, não se nega não por saber que este amor é um contraste cotidiano? Não pensa que não penso em você? Ora! Larga a mão de ser trouxa! Pare de dar aqueles sorrisinhos perfeitos e feder por dentro! Seja você!
- Para que? Sei que minha vida é um contraste mas ,por favor, não obrigue-me a ser quem não sou.
- Pivete! Você não sabe viver? Pra viver nesse mundo de discórdia e de dor é preciso ser quem as pessoas querem que você seja! Para de ignorância!
- Ignorância? Acho que a palavra pura seria mais adequada! Não vê que mesmo querendo ser eu nunca serei? Não vê que o único contraste entre mim e o povo é a minha razão de viver?
- Audácia! Como é capaz de se mostrar tolo em frente a um bando de cangurus anônimos?

-Chega de viver assim seu cretino! Veja a vida como a realidade!

- Chega de viver como você! Sinto que estou fazendo a cosia certa! Não vê que eu preciso ser quem eu sou e seguir meu próprio caminho?

- Tolice! Aja como deve ser!

- Não! Não me rendo à sociedade ridícula!

- Chega desses seus discursos patéticos! Seu mísero pó!

- Caramba! Você não enxerga tudo como eu vejo?

- Isso é o contraste!

- Isso é a vida!

- Chega disso tudo!

E, após isso, ouviu-se uma movimentação das águas no rio Senna.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

eScuridão


Não dá pra explicar né? Estou sozinho aqui no escuro profundo, não sei onde eu estou nem o que eu faço aqui... Só eu e minha querida pulseira de neon que realmente é minha única companhia aqui. Sabe, foi realmente repentino porque eu estava dormindo e vim parar aqui, não sei o plano pra isso, não sei pra que estou aqui. Só sei que estou aqui e pronto. Eu ainda estava caminhando nos maços de lírios, peguei no sono e acordei aqui... Não sei se cheguei onde eu queria, realmente acho que cheguei sim porque aqui é realmente podre, podre em alma não na realidade...
Se você se imaginar aqui, em meu lugar, vai perguntar: Não está com medo? Não está sentindo falta de amigos? e eu respondo: Não.
Não mesmo. Nunquinha. Já perdi o meu amor, aliás, ainda não perdi. Mas além da conta eu estou morto. Não vejo nada além da luz de neon que é aqui minha única chance de vida. E ela vai perdendo seu brilho... Até morrer... Aí teremos a realidade morta. O fim.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Caminho à Lírios

A tempos estou, agora, andando num trilho onde não sei onde irei parar... Onde não sei onde chegar... Estou esperando algum sinal de vida.
É estranho amar e não ser amado, admirar e não ser admirado. Sempre estive ao seu lado e você nunca me percebeu. Sempre estive com você 24h por dia tentando ganhar um sorriso, mas você, só me tratou como um qualquer, um que sempre esteve ao seu lado. Tem um amor dentro de mim que corre para todos os lados do meu ser procurando um lugar para parar e respirar, mas ele não consegue. Um amor estranho, por alguém estranho. Ultrapassa a ternura e é doce como o mel. Não sei o que fazer! Não sei pra onde ir! O caminho é grande e não vou chegar a lugar algum! Não tenho saída. Sinto o meu ódio adentrando em raios nos lírios sorridentes e vivos, sinto cada batida do meu coração esperando a hora de morrer, ódio e desgraça, desamor e egoísmo. Nada mais me atrai e fujo completamente os olhos do meu amor, pois se desviar minha atenção à ele não resisto, fujo. Fujo do céu e do mar, fujo da terra e do ar, tudo pra mim tornou-se monótono e a única saída e se entregar ao mar. Tudo pra mim perdeu o sentido, não tem mais jeito. Agora, livre e sozinho solto aos ecos das serras suspiros de saudade que no meu peito se encerra, esses prantos de amargores são prantos cheios de dores, saudades dos meus amores, saudades da minha terra! Não há saída! Não há!
Agora é impossível não perceber. Sinto aquele vento frio penetrando em minha pele e o que sobra é medo e solidão. A minha terra não tem mais palmeiras e não vejo meros sabiás, cantam aves invisíveis nas palmeiras que não há... A perfeição não existe mais e agora eu posso perceber que esse amor continua dentro de mim e fácil ele não vai sair. Ahh Amor fatal! Podes ser imortal! Mas a mim tu pertences e eu, sou mortal. Eu sei o que esse amor quer, ele ME quer... Medo, raiva e cansaço.

Ainda estou caminhando nesse trilho de lírios que não cansam de me mostrar a realidade, mostrar que eu não tenho chance e a única coisa que me sobra é a MORTE.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Intruso - Mais um distúrbio


''Uh Uh Uh Que Beleza, A Natureza!''







Ah! Não resisto não. Essas tecnologias de hoje impressionam a simples joaninha que vive em nossos jardins, é realmente FA-BU-LU-SO! Me sinto um idiota e retardado ao assumir que sou um Agente da Beleza. É meu amigo, vai me dizer que nunca na sua vida ouviu falar daqueles shampoos de chocolate que falam que hidratam cabelo, daqueles cremes de cabelo que deixando seu cabelo liso, de géis que anunciam seu cabelo como duro igual pedra e é claro não saiu correndo pra comprar!!!? Foi o que aconteceu. Aproveitando o fato de meu pai ser médico pedi que ele retirasse, ou melhor, matasse estrangulasse queimasse tirasse puxasse um intruso que estava em meu corpo, a PINTA. É realmente ridículo isso pra você mas pro meu bem fiz isso. Acontece que minha briga com a tecnologia médica foi das boas, no meio da ‘cirurgia’ meu corpo reagiu alergicamente ao esparadrapo! Você pensa que eu poderia ter um infarto e ter que ser usado aqueles negócios que soltam choques em você? Nada disso! Seus problemas acabam de acabar pois meu pai usou uma... pomada! E eu já levantei da ‘sala de operação’ jogando tudo pra baixo e pra cima. Droga! Isso significava que uma pomada fez milagre, nem em bíblia consta isso. Que patética a minha ação pois isso fez com que eu derretesse e vira-se pó. Com isso, aproveitei e fui visitar a Clotiude, minha joaninha.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Coração de papel




Me lembro da minha infancia não vivida, me lembro daqueles dias terriveis que a gente passa quando é criança. De um simples quebrar de vidro até aquelas broncas que a gente chega até a rir depois. Nossa, eu mesmo não acredito que era tão doido quando era criança, mas o lance é o seguinte, esse post não vai sair dos quatro lados desse bendito computador, aqui vivido e aqui morto. Um fato estranho e ridículo era que eu, eu mesmo, gostava de assistir aos desenhos da Disney, especialmente a Pequena Sereia, dá pra acreditar? Sabia que fui capaz de jogar uma fita de vídeo do Pokemon na privada só porque a professora não deixou a gente assistir a Pequena Sereia DE NOVO? Dá pra acreditar que de toda a galera da sala só eu e uma amiga recebíamos os crachás de ‘meninos malvados’? É cara, e você ainda acha que sou um anjinho? E um dos piores, não dedurei uma menina pois ela havia roubado UM salgado da padaria perto da escola? Fui capaz de ser o único da sala a chorar pela saída de minha professora da quarta série? Dá pra acreditar que eu sou um das únicas crianças do mundo e da América Latina que escreve bobeiras em um blog?

Ahhh, não adianta não, meu coração é de papel! Podem me chamar de manteiga derretida ou até outros piores nomes mas uma coisa não posso mudar, o meu coração. Eu realmente me sinto mal ao pensar que meus professores que tanto amo e que marcaram minha vida darão a mim um simples beijo e depois nunca mais irei os ver. Sinto saudades daquele tempo onde não sentia nada, era impuro e feito de granito. Mas agora meu coração é de papel, não adianta falar as mais perfeitos ou ridículas palavras pra mim. Meu coração é de papel e pra sempre vou ser criança. Chega de viver mágoas e dores, chega de viver a vida de suspiros e clamores. Ainda é tempo, é tempo... É... Tempo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

O Estojo Rosa e A Régua Zebrinha


Chuvaa?? Que nada! É a puríssima poeira que está acabando com nossa saúde e com nosso clima... Oh Poeira sem GRAÇA!

Quando vem chuva vem gotas, quando vem poeira vem tudo!

Mas parece que 2 seres vivem em extrema concordância nas salas de aula de Geografia: o estojo rosa e a régua zebrinha, ambos os matérias de nossa adorável professora Juliana.

Esse foi um dia que me causou um espantos dos infernos, meu Deus que susto!

Tudo começou na última aula do dia pré-feriado, claro que era de geografia. Eu estava perante a mesa da professora quando vi o estojo rosa e a régua zebrinha, aí foi o pior: interrompi a aula onde Juliana estava explicando sobre a economia brasileira e pedi para tirar uma foto do estojo e da régua. Eis a foto. Logicamente ela deixou pois um garoto louco, patético e meio psicopata como eu faria sonhos pra conquistar aquela foto. Após essa situação de terror Juliana continuou a aula, porém, do nada, ouvi um berro na sala! Adivinha de quem era? Meu. É meu amigo, era do tio aqui, sabe o porquê? Porque eu ouvi a régua gritando: ‘ Aiiii! ’. Ilusão? Imaginação? Emoção? Isso eu não sei mas garanto que o grito foi muito real... Você deve estar achando que a professora me deu uma suspensão ou uma advertência, admito, eu também achava isso maass, pelo contrário, ela foi a segunda a cair na gargalhada, e quem foi a primeira pessoa? Eu. Que situação hein? Pagar um mico desses e depois RIR? Para você ver que as aulas de geografia influenciam minha mente, aliás, tudo começou nas aulas de geografia: lá eu encontrei a professora mais fabulosa de todas, lá foi onde tudo começou aqui nesse blog preso a uma janela e também quando percebi que o grito da régua não era da régua, e sim da pessoa que mais odeio nessa vida, Tayná. Menina traiçoeira, mentirosa, infeliz e enganadora... Ela estragou minha vida com uma fala que não quero falar agora nem aqui. Acontece que eu sou uma pessoa normal, e como uma pessoa normal mereço respeito acima de tudo. A régua? Está bem graças ao bom Deus... Agora, quem não me parece bem mesmo sou eu...